Guia Prático do Cerve­jeiro Caseiro — Clubeer

De repente, entre um gole e outro da sua cerveja preferida, você desco­bre que é pos­sível fazer uma pare­cida na sua própria casa. Ou, mel­hor ainda, criar a sua própria cerveja. Resolve procu­rar pela inter­net e recebe tanta infor­mação que demor­aria cen­te­nas de anos até enten­der como fun­ciona para ten­tar fazer algo. Não se deses­pere, jovem gafanhoto.

Vou dar diver­sos pon­tos de par­tida para você começar fazendo o básico e depois se apro­fun­dar no vasto uni­verso do “não acred­ito que você só usa uma rampa de tem­per­atura” ou “decocção é mil vezes mel­hor” ou ainda “can­sei do prim­ing, vou com­prar um post mix”.

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Uma boa cerveja parte de saber fazer o processo cor­re­ta­mente, seja qual for o processo escol­hido. Uma ótima cerveja é fruto de muito estudo e domínio do processo além dos ingre­di­entes. Lembrem-​se sem­pre disso. Mas antes de sair estu­dando desen­f­reada­mente o que apare­cer pela frente, mel­hor apren­der com quem sabe. Este pode ser um pro­fes­sor de um curso básico de pro­dução de cerveja (por exem­plo, o que é ofer­e­cido pela Sin­na­trah Cervejaria-​Escola, em São Paulo), um bom livro para ini­ciantes como o How to Brew do John Palmer ou até um amigo que tenha exper­iên­cia em cerveja caseira. Par­tic­i­par dos even­tos das asso­ci­ações dos cerve­jeiros caseiros (con­heci­das como ACer­vAs) tam­bém é uma boa já que você terá con­tato com diver­sos cerve­jeiros caseiros. Cada estado tem sua asso­ci­ação. Veja, um não sub­sti­tui o outro pois são complementares.

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Saiba que fazer cerveja em casa é um hobby, por­tanto, deve ser praze­roso. Além disso, não é rápido. Vai levar, no mín­imo, 2 sem­anas. Tenha paciên­cia que será inde­scritível. Você perce­berá que todo o tra­balho e toda a espera valerão a pena quando abrir a primeira tamp­inha da sua primeira cerveja.

E agora que já falei sobre onde começar e que é um hobby de paciên­cia, não vou deixar vocês com água na boca e parar por aqui. Mostrarei o processo básico para fazer uma cerveja em sua casa. Espero instigá-​lo a entrar de cabeça no hobby.

O processo se divide em 8 fases: Moagem dos grãos, Mostu­ração, Fil­tragem, Fer­vura, Res­fri­a­mento, Fer­men­tação, Mat­u­ração e Engar­rafa­mento ou Embarrilamento.

  1. Moagem dos grãos: É necessário moer o malte de cevada para abrir sua casca e expor seu núcleo. É lá que está o amido que será uti­lizado na mostu­ração. A moagem tem que ser fina a ponto de expor o núcleo mas não tão fina que esmi­galhe a casca que será útil pos­te­ri­or­mente para a filtragem.
  2. Mostu­ração: Aqui a mág­ica começa. É onde os ami­dos do malte de cevada se trans­for­maram em açú­cares que se tornarão o álcool e o corpo da cerveja além de proverem parte dos sabores. Coloca-​se os grãos com água para realizar esta con­ver­são. Este é a parte onde é pos­sível fazer os mais difer­entes tipos de processo. Além de diver­sas tem­per­at­uras e tem­pos para atin­gir o resul­tado esper­ado. Em geral, a cov­er­são dos ami­dos acon­tece entre 60 e 72ºC.
  3. Fil­tragem: A água com os açú­cares, que agora se chama mosto, irá para a fer­vura mas pre­cisamos deixar as cas­cas e o máx­imo de out­ros com­po­nentes inde­se­ja­dos para trás. Nesse ponto que a casca se torna impor­tante pois é ela, jun­ta­mente com um ele­mento fil­trante. No caso da cerveja caseira, o mais habit­ual é o fundo falso para a pan­ela que segu­rará as cas­cas e ele­men­tos maiores que, por sua vez, fil­tram ele­men­tos menores.
  4. Fer­vura: Este passo é impor­tante prin­ci­pal­mente por 3 motivos: evap­o­rar com­pos­tos que deixariam gos­tos ou aro­mas inde­se­jáveis, ester­ilizar o mosto e iso­merizar os alfa áci­dos do lúpulo. Esta iso­mer­iza­ção é o que gera o amar­gor na cerveja. Além disso, é pos­sível adi­cionar mais coisas que mudaram sua cerveja. Por exem­plo, fru­tas, mel, espe­cia­rias, etc. A par­tir deste ponto, tudo tem que ser dev­i­da­mente san­i­ti­zado para não con­t­a­m­i­nar sua futura cerveja.
  5. Res­fri­a­mento: É necessário res­friar o mosto para decantar diver­sas partícu­las que estavam em sus­pen­são durante a fer­vura e pos­si­bil­i­tar a inoc­u­lação do fer­mento. O fer­mento não pode ser inoc­u­lado acima de 30ºC pois ele não sobre­vive­ria. O fer­mento cerve­jeiro é biológico e não químico, ou seja, é um organismo.
  6. Fer­men­tação: Aqui é onde o mosto vira cerveja. Todo açú­car fer­men­tável vira álcool. Além da pos­si­bil­i­dade de cri­ação de out­ros com­pos­tos que darão cer­tas car­ac­terís­ti­cas à cerveja. Por exem­plo, aquele cheir­inho de banana das cerve­jas de trigo alemãs (Weizen) é pro­duto da fer­men­tação. Um bom con­t­role da tem­per­atura de fer­men­tação aumenta sig­ni­fica­ti­va­mente a qual­i­dade do pro­duto final.
  7. Mat­u­ração: Depois de fer­men­tada, é hora de amadure­cer a cerveja. Seja para alguma car­ac­terís­tica sur­gir ou desa­pare­cer. Nessa fase tam­bém costuma-​se adi­cionar fru­tas, espe­cia­rias ou até amadure­cer a cerveja em bar­ris de madeira.
  8. Engar­rafa­mento ou embar­ril­a­mento: Nesse está­gio que é adi­cionado o gás na cerveja. Seja forçando CO2dire­ta­mente ou gerando uma refer­men­tação na gar­rafa ou bar­ril. Uma vez engar­rafada ou embar­ri­lada, e car­bon­atada, é só tomar sua obra prima!

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Se uma cerveja deu errado, não desis­tam! Difi­cil­mente a cerveja é sim­ples­mente intragável. E sem­pre que fiz­erem, com­par­til­hem com os ami­gos. Pref­er­en­cial­mente beba junto. A cerveja é exata­mente isso.

Até mais, futuros cervejeiros.

Pub­li­cado orig­i­nal­mente no blog do Clubeer (http://​www​.clubeer​.com​.br/​b​l​o​g​/​g​u​i​a​-​p​r​a​t​i​c​o​-​c​e​r​v​e​j​e​i​r​o​-​c​a​s​e​i​r​o​-​p​o​r​-​m​a​g​o​o​-​p​e​l​l​e​g​r​i​n​o​/)
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