A vinifi­cação da cerveja — Red Ale de Flan­dres

Tradi­cional­mente feita na região de Flan­dres, ao norte da Bél­gica, as Red Ales de Flan­dres ou Acid Ales de Flan­dres são pro­duzi­das em diver­sos lugares atual­mente, inclu­sive no Brasil. Tem os mes­mos ances­trais das Porters Ingle­sas do século XVII, porém seguiram cam­in­hos bem difer­entes. O per­fil de aro­mas e gos­tos, além da cor, se aprox­ima bas­tante de um vinho e, não à toa, essas cerve­jas são chamadas de Bur­gundy da Bél­gica, fazendo refer­ên­cia aos vin­hos da região de Bor­gonha, na França. Alguns rótu­los fazem menção direta à região da Bor­gonha como a Duchesse de Bour­gogne e a Bour­gogne des Flan­dres. Apre­sen­tam sabor de ameixas, fru­tas secas ou pas­sas e fram­boesa na sua maio­ria, assim como notas de bau­nilha e tanino, que causa certa adstringên­cia, prove­nientes da madeira. Com­ple­men­tada com uma aspereza, aroma e gos­tos prove­nientes de acidez lática e acética, as Red Ales de Flan­dres são, geral­mente, a porta de entrada no mundo da cerveja aos apre­ci­adores de vinho.

Bar­ris de car­valho (Foed­ers) da Roden­bach
Barris de carvalho (Foeders) da Rodenbach

Assim como as Lam­bics, são tam­bém con­sid­er­adas cerve­jas sel­vagens e têm sua fer­men­tação com­posta não ape­nas pela lev­e­dura ale (Sac­cha­romyces Cere­visiae), mas tam­bém por lev­e­duras sel­vagens (Bret­tanomyces), bac­térias láti­cas (Lac­to­bacil­lus e Pedio­coc­cus) e bac­téri­cas acéti­cas (Ace­to­bac­ter). Usam maltes de secagem mod­er­ada, como Vienna e Munich, para com­por a base da receita além de maltes de carameliza­ção média e uma pequena quan­ti­dade de maltes mais escuros como o Spe­cial B. Além dos maltes, tam­bém tem em sua com­posição até 20% de sêmola de milho. O milho ajuda na nutrição das lev­e­duras por lon­gos perío­dos, já que envel­he­cem em bar­ril por até 2 anos, além de diminuir lev­e­mente o corpo da cerveja. O envel­hec­i­mento no bar­ril traz um ambi­ente propí­cio para o desen­volvi­mento de todos os microor­gan­is­mos envolvi­dos na fer­men­tação, além dos sabores da madeira. Ao fim do envel­hec­i­mento, costuma-​se mis­tu­rar uma cerveja nova (no máx­imo 6 meses de mat­u­ração) com a cerveja mais envel­he­cida. Essa é uma prática bem antiga, tam­bém uti­lizada pelos ingle­ses. Nesse caso, bal­an­ceia a acidez e com­plex­i­dade da cerveja envel­he­cida com o dulçor e fres­cor da cerveja nova.

As Red Ales de Flan­dres har­mo­nizam muito bem com carne bov­ina grel­hada com a acidez con­stra­stando e o dulçor aprox­i­mando do leve carame­lado da carne. Dev­ido a sua acidez, tam­bém com­bina com sal­adas e vina­gretes. Suas car­ac­terís­ti­cas sel­vagens casam bem com quei­jos que tam­bém pos­suam algo nesta linha como um blue cheese, gor­gonzola ou camem­bert bem maduro.

O serviço para mel­hor apre­ciar toda a com­plex­i­dade desta cerveja pode ser feito nos seguintes copos:

Snifter

Tulipa

Flute

Alguns óti­mos exem­plares para serem degus­ta­dos e que são facil­mente encon­tra­dos aqui no Brasil são:

Duchesse de Bourgogne

Vicht­e­naar

Roden­bach Grand Cru

Quem quer algo baseado neste estilo mas um pouco difer­ente, deve provar a Echt Krieken­bier (real cerveja de cereja)

Espero que todos vocês apre­ciem tanto as Red Ales de Flan­dres quanto eu aprecio.

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